5.1Neoplasia lobular
O termo neoplasia lobular reúne a hiperplasia lobular atípica e o carcinoma lobular in situ. São proliferações de células pequenas, uniformes e pouco coesas que preenchem e distendem os ácinos. Funcionam ao mesmo tempo como marcadores de risco e como precursoras não obrigatórias do carcinoma invasivo1.


| Variante | Células | Arquitetura | Significado |
|---|---|---|---|
| Hiperplasia lobular atípica | Tipo A ou B | Preenche menos de metade dos ácinos do lóbulo | Marcador de risco |
| Carcinoma lobular in situ clássico | Tipo A (1 a 1,5 vez um linfócito) ou B (até 2 vezes) | Ácinos distendidos e preenchidos | Risco e precursora |
| Carcinoma lobular in situ florido | Clássicas | Ácinos muito distendidos, sem estroma entre eles; pode ter necrose | Conduzido como CDIS |
| Carcinoma lobular in situ pleomórfico | Grandes (≈ 4 vezes um linfócito), nucléolos evidentes | Pode ter necrose comedo e calcificações | Conduzido como CDIS de alto grau |
Tamanho das células segundo Dabbs et al., 20131; variantes não clássicas conforme o conjunto de dados ICCR, que trata o carcinoma lobular in situ florido e o pleomórfico com os mesmos elementos de laudo do CDIS3.
5.2E-caderina e o complexo caderina-catenina
A E-caderina é uma glicoproteína transmembrana de adesão, dependente de cálcio, codificada pelo gene CDH1 (16q22.1). Seu domínio intracitoplasmático se liga à catenina p120 e à β-catenina, que por sua vez se conecta à α-catenina e ao citoesqueleto de actina1.
Junção aderente: o que muda na célula lobular
Esquema didático baseado em Dabbs et al., 2013.
Adaptado de Dabbs et al., 20131, figura 1.
Genética
Mutações truncantes idênticas de CDH1 no carcinoma lobular in situ e no invasivo do mesmo caso confirmam a relação precursora. As mutações são frequentes nos carcinomas lobulares e raras nos ductais (até 2% dos ductais têm mutação somática)1.
5.3Como usar E-caderina e p120
| Marcador | Lesão ductal | Lesão lobular |
|---|---|---|
| E-caderina | Membrana contínua e forte | Ausente; ou aberrante (fragmentada, fraca, granular, citoplasmática) |
| Catenina p120 | Membrana | Citoplasma difuso: marcador positivo de fenótipo lobular |
| β-catenina | Membrana | Ausente da membrana |
Padrão de E-caderina nos carcinomas lobulares invasivos
Em um estudo citado por Dabbs, até 15% dos carcinomas lobulares tinham alguma expressão de membrana, sempre aberrante.
Adaptado de Dabbs et al., 20131. Os 85% representam o complemento dos 15% relatados.
Regras práticas
- Não pedir E-caderina quando a morfologia lobular é clássica no HE: a expressão aberrante pode confundir e não anula o diagnóstico.
- Usar E-caderina nos casos morfologicamente ambíguos (sólidos, com padrão misto, CDIS versus carcinoma lobular in situ).
- Quando a E-caderina é positiva mas a morfologia sugere lobular, acrescentar p120: citoplasma difuso confirma o fenótipo lobular.
- Expressão de membrana fraca, segmentar ou granular deve ser lida como aberrante, não como "positiva".
- A perda de E-caderina é necessária, mas não suficiente, para o diagnóstico de carcinoma lobular in situ pleomórfico1.
5.4Carcinoma lobular invasivo
O carcinoma lobular invasivo clássico é formado por células pequenas e pouco coesas que infiltram o estroma isoladamente ou em fileiras, frequentemente em padrão concêntrico ao redor de ductos, com reação estromal discreta. É quase sempre RE e RP positivo e HER2 negativo; a variante pleomórfica tem núcleos de alto grau e pode ser HER2-positiva1,2.

Implicações práticas
- O tamanho macroscópico costuma subestimar a extensão real.
- As metástases linfonodais podem ser de células isoladas, difíceis de ver no HE; a imuno-histoquímica para citoqueratina ajuda em casos selecionados4.
- Padrão de disseminação peculiar (peritônio, trato gastrintestinal, ovários).
Classificação molecular
No perfil de expressão gênica, os carcinomas lobulares clássicos foram luminais e muito semelhantes aos tubulares; os pleomórficos agruparam-se como HER2-positivos ou apócrinos moleculares2. Nas alterações de número de cópias de DNA, clássico e pleomórfico são bastante parecidos (aula do autor).
5.5Roteiro do laudo
Baseado em Dabbs et al.1 e no conjunto de dados ICCR3.
| Tipo de lesão essencial | Hiperplasia lobular atípica, carcinoma lobular in situ clássico, florido ou pleomórfico; carcinoma lobular invasivo (clássico ou pleomórfico). |
| Variantes não clássicas: extensão, grau, necrose, margens essencial | Mesmos elementos do CDIS (capítulo 4). |
| Imuno-histoquímica utilizada recomendado | E-caderina e p120, com o padrão observado (ausente, aberrante, citoplasmático). |
| Associação com outras lesões recomendado | CDIS concomitante, lesões de células colunares, carcinoma invasivo. |
| Carcinoma lobular invasivo essencial | Seguir o roteiro do carcinoma invasivo (capítulos 6 e 8) e dos biomarcadores (capítulos 12 a 14). |
Referências
- Dabbs DJ, Schnitt SJ, Geyer FC, Weigelt B, Baehner FL, Decker T, et al. Lobular neoplasia of the breast revisited with emphasis on the role of E-cadherin immunohistochemistry. Am J Surg Pathol. 2013;37(7):e1-11. doi:10.1097/PAS.0b013e3182918a2b
- Weigelt B, Horlings HM, Kreike B, Hayes MM, Hauptmann M, Wessels LF, et al. Refinement of breast cancer classification by molecular characterization of histological special types. J Pathol. 2008;216(2):141-50. doi:10.1002/path.2407
- Fox SB, Webster F, Chen CJ, Chua B, Collins L, Foschini MP, et al. Dataset for pathology reporting of ductal carcinoma in situ, variants of lobular carcinoma in situ and low-grade lesions: recommendations from the International Collaboration on Cancer Reporting (ICCR). Histopathology. 2022;81(4):467-76. doi:10.1111/his.14725
- Cserni G, Brogi E, Cody HS, Deb R, Farshid G, O'Toole S, et al. Reporting of surgically removed lymph nodes for breast tumors: recommendations from the International Collaboration on Cancer Reporting. Arch Pathol Lab Med. 2022;146(11):1308-18. doi:10.5858/arpa.2022-0060-RA
Manual de patologia mamária · Dr. Roberto Falzoni · Capítulo 5. Fotomicrografias: acervo do autor.
