4.1Lesões de células colunares
As lesões de células colunares são unidades ductolobulares dilatadas, revestidas por células colunares, frequentemente com secreção e calcificações; por isso são comuns em biópsias dirigidas por microcalcificações. Formam um espectro: alteração de células colunares (uma ou duas camadas), hiperplasia de células colunares (estratificação) e, quando há atipia citológica de baixo grau sem arquitetura complexa, atipia epitelial plana3,1.




Perfil imuno-histoquímico das lesões colunares
Na série de Simpson, as lesões de células colunares foram RE e RP positivas e CK5/6 e CK14 negativas, com poucas alterações genéticas e perda recorrente de 16q, semelhantes às do carcinoma in situ e invasivo de baixo grau1.
4.2Hiperplasia usual e hiperplasia atípica
A distinção entre hiperplasia ductal usual e hiperplasia ductal atípica é das mais frequentes na prática. Na usual, a população é heterogênea; na atípica, é monótona e semelhante à do carcinoma in situ de baixo grau, mas com extensão limitada3.


| Característica | Hiperplasia ductal usual | Hiperplasia ductal atípica / CDIS de baixo grau |
|---|---|---|
| População celular | Heterogênea (luminais, mioepiteliais, metaplasia apócrina) | Monótona, uma só população |
| Núcleos | Sobrepostos, orientação variável, sulcos | Redondos, regulares, equidistantes |
| Luzes secundárias | Irregulares, em fenda, periféricas | Rígidas, redondas, "perfuradas" |
| CK5/6, CK14 | Mosaico (células positivas e negativas misturadas) | Negativas nas células proliferadas |
| RE | Heterogêneo | Difuso e forte |
| Clonalidade | Não clonal na maioria | Clonal1 |
Limite entre atípica e in situ
A diferença entre hiperplasia ductal atípica e carcinoma ductal in situ de baixo grau é de extensão, não de qualidade celular: os critérios usuais são envolvimento completo de pelo menos dois espaços ou extensão acima de 2 mm3. Em biópsias por agulha, a lesão atípica pode ser a borda de um carcinoma maior: na série de Tamaki, 41% dos carcinomas in situ da biópsia tinham invasão na peça (capítulo 2)6.
4.3Carcinoma ductal in situ
O carcinoma ductal in situ é uma proliferação neoplásica restrita ao sistema ductolobular, com camada mioepitelial preservada. É classificado pelo grau nuclear (baixo, intermediário, alto), pela presença de necrose (comedo ou puntiforme) e pelo padrão arquitetural2.




| Grau nuclear | Núcleos | Necrose | Perfil habitual |
|---|---|---|---|
| Baixo | Pequenos, monótonos, 1,5 a 2 vezes uma hemácia, nucléolos inconspícuos | Rara | RE+, HER2−, padrões cribriforme e micropapilar |
| Intermediário | Intermediário entre baixo e alto | Pode haver | Variável |
| Alto | Grandes (> 2,5 hemácias), pleomórficos, nucléolos evidentes, mitoses | Frequente (comedo) | Frequentemente RE− ou HER2+; padrões sólido e comedo |
Doença de Paget do mamilo
Quando o carcinoma in situ alcança a epiderme do mamilo, a lesão é a doença de Paget; a maioria é de alto grau nuclear e fortemente HER2-positiva2.
4.4Duas vias de progressão
O modelo tradicional, linear, ia do epitélio normal à hiperplasia usual, à hiperplasia atípica, ao carcinoma in situ e ao invasivo. Os estudos genéticos mostraram outra coisa: as lesões se organizam em duas famílias distintas, de baixo e de alto grau, que raramente se convertem uma na outra1.
Número médio de alterações cromossômicas por tipo de lesão
Hibridização genômica comparativa em 81 lesões de 18 pacientes. O número de alterações cresce com a atipia e com a progressão.
Adaptado de Simpson et al., 20051, tabela 3.
| Alteração | Via de baixo grau | Via de alto grau |
|---|---|---|
| Perda de 16q | Sim | Sim (< 30%) |
| Ganho de 1q | Sim | Sim (60%) |
| Ganho de 8q | Não | Sim (75%) |
| Ganhos de 17q e 20q | Não | Sim |
| Perdas de 1p, 8p, 13q | Não | Sim |
Síntese apresentada na aula do autor (2014), a partir da literatura de genética das lesões precursoras1.
Via de baixo grau
- Lesões de células colunares, atipia epitelial plana, hiperplasia atípica, CDIS de baixo grau, neoplasia lobular.
- Carcinomas invasivos de baixo grau: tubular, cribriforme, lobular clássico, ductal grau 1.
- RE+, baixa proliferação, perfil luminal, bom prognóstico.
Via de alto grau
- CDIS de alto grau, frequentemente sem precursora identificável.
- Carcinomas invasivos grau 3, HER2-positivos ou basais.
- RE−, alta proliferação, mais alterações genéticas, pior prognóstico.
Conclusões dos estudos genéticos (aula do autor)
- A hiperplasia ductal usual tem poucas alterações e, na maioria, não é precursora direta.
- A hiperplasia ductal atípica tem semelhanças genéticas com o CDIS de baixo grau.
- A hiperplasia atípica e o CDIS de qualquer grau são proliferações clonais.
- CDIS de baixo e de alto grau são neoplasias distintas que evoluem para formas diferentes de câncer invasivo1.
- Os subtipos moleculares (luminal, HER2, basal) já estão presentes na fase in situ4.
4.5Roteiro do laudo
Elementos essenciais e recomendados do conjunto de dados ICCR para CDIS2.
| Procedimento e lateralidade essencial | Como no capítulo 2. |
| Localização essencial | Quadrante ou posição horária. |
| Extensão do CDIS essencial | Maior dimensão, por correlação macroscópica, microscópica e de imagem. |
| Grau nuclear essencial | Baixo, intermediário ou alto. |
| Necrose essencial | Ausente, puntiforme ou comedo. |
| Padrão arquitetural recomendado | Sólido, cribriforme, micropapilar, papilífero, plano. |
| Margens essencial | Comprometida ou livre; distância da mais próxima se menor que 5 mm; extensão do comprometimento. Margem adequada: ≥ 2 mm5. |
| Local de biópsia prévia essencial | Identificado e amostrado. |
| Microcalcificações essencial | Presentes no CDIS, no tecido benigno ou em ambos. |
| Receptor de estrógeno essencial | RP é opcional. |
| Estadiamento essencial | pTis (DCIS). |
Referências
- Simpson PT, Gale T, Reis-Filho JS, Jones C, Parry S, Sloane JP, et al. Columnar cell lesions of the breast: the missing link in breast cancer progression? A morphological and molecular analysis. Am J Surg Pathol. 2005;29(6):734-46. doi:10.1097/01.pas.0000157295.93914.3b
- Fox SB, Webster F, Chen CJ, Chua B, Collins L, Foschini MP, et al. Dataset for pathology reporting of ductal carcinoma in situ, variants of lobular carcinoma in situ and low-grade lesions: recommendations from the International Collaboration on Cancer Reporting (ICCR). Histopathology. 2022;81(4):467-76. doi:10.1111/his.14725
- WHO Classification of Tumours Editorial Board. Breast tumours. 6th ed. Lyon (France): International Agency for Research on Cancer; 2025. (WHO classification of tumours series).
- Yu K, Lee CH, Tan PH, Tan P. Conservation of breast cancer molecular subtypes and transcriptional patterns of tumor progression across distinct ethnic populations. Clin Cancer Res. 2004;10(16):5508-17. doi:10.1158/1078-0432.CCR-04-0085
- Morrow M, Van Zee KJ, Solin LJ, Houssami N, Chavez-MacGregor M, Harris JR, et al. Society of Surgical Oncology-American Society for Radiation Oncology-American Society of Clinical Oncology consensus guideline on margins for breast-conserving surgery with whole-breast irradiation in ductal carcinoma in situ. J Clin Oncol. 2016;34(33):4040-6. doi:10.1200/JCO.2016.68.3573
- Tamaki K, Sasano H, Ishida T, Miyashita M, Takeda M, Amari M, et al. Comparison of core needle biopsy (CNB) and surgical specimens for accurate preoperative evaluation of ER, PgR and HER2 status of breast cancer patients. Cancer Sci. 2010;101(9):2074-9. doi:10.1111/j.1349-7006.2010.01630.x
Manual de patologia mamária · Dr. Roberto Falzoni · Capítulo 4. Fotomicrografias: acervo do autor.
