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Manual de patologia mamáriaRoteiros para formulação de laudos

Parte II · Lesões e diagnóstico morfológico · Capítulo 7

Painéis imuno-histoquímicos no diagnóstico diferencial

Este capítulo reúne, em forma de tabelas, os painéis imuno-histoquímicos mais usados no diagnóstico diferencial da mama. Cada painel responde a uma pergunta morfológica precisa; nenhum substitui a leitura do HE.

7.1Princípios para montar um painel

Uma pergunta por painel

Defina no HE o que precisa ser respondido (há camada mioepitelial? a população é clonal? a célula é coesa?) e escolha os marcadores para essa pergunta.

Dois marcadores para o mesmo alvo

Para a camada mioepitelial, combine um marcador nuclear (p63) com um citoplasmático (calponina ou SMMHC); a marcação de cada um pode ser descontínua1.

Controle interno sempre

Ductos normais vizinhos mostram como deve ser a marcação; use-os como referência antes de afirmar ausência.

Cuidado com a ausência

Ausência de marcação mioepitelial em um ninho isolado pode ser tangencial; confirme em níveis adicionais antes de diagnosticar invasão.

Actina de músculo liso em carcinoma papilífero.
Figura 7.1 Carcinoma papilífero, actina de músculo liso: a AML marca vasos e miofibroblastos dos eixos, o que pode simular camada mioepitelial. Por isso deve ser combinada com um marcador nuclear (p63) e com calponina ou SMMHC (capítulo 3). Acervo do autor.
Hiperplasia ductal usual.
Figura 7.2 Hiperplasia ductal usual (HE): neste contexto, CK5/6 mostraria padrão em mosaico (capítulo 4). Acervo do autor.

7.2Benigno, in situ ou invasivo?

SituaçãoPainel sugeridoInterpretação
Lesão esclerosante (adenose esclerosante, cicatriz radial) versus carcinoma tubularp63 + calponina ou SMMHCMioepiteliais presentes: lesão benigna; ausentes: carcinoma.
Adenose microglandular versus carcinoma tubularp63, S-100, colágeno IV ou laminina, REAdenose microglandular: sem mioepiteliais, com membrana basal, S-100+, RE−2.
Microinvasão em CDISp63 + calponina; citoqueratina para ver células isoladasFoco ≤ 1 mm sem camada mioepitelial = microinvasão.
Lesão papilíferap63 + calponina; CK5/6; REVer capítulo 3: mioepiteliais nos eixos e na periferia definem a categoria1.
Carcinoma papilífero encapsuladop63 + calponinaAusência na periferia; RE+/HER2−1.

7.3Hiperplasia usual ou atípica?

MarcadorHiperplasia usualHiperplasia atípica / CDIS de baixo grauLesão de células colunares
CK5/6 ou CK14MosaicoNegativoNegativo3
REHeterogêneoDifuso e fortePositivo3

Limitação

CDIS de alto grau e algumas lesões apócrinas podem ser CK5/6-negativos e RE-negativos; o painel serve para lesões de baixo grau. A hiperplasia usual com metaplasia apócrina perde o mosaico nas áreas apócrinas.

7.4Ductal ou lobular?

MarcadorDuctalLobularObservação
E-caderinaMembrana contínuaAusente ou aberranteAté 15% dos lobulares invasivos com expressão aberrante4
Catenina p120MembranaCitoplasma difusoMarcador positivo de fenótipo lobular4
β-cateninaMembranaAusente da membranaAlternativa à p1204

Detalhes e armadilhas no capítulo 5.

7.5Invasão linfovascular ou retração?

Pelos critérios de Rosen, a invasão linfovascular é avaliada fora da massa tumoral, em espaços claramente revestidos por endotélio; o êmbolo não acompanha exatamente o contorno do espaço7. Quando há dúvida, a imuno-histoquímica para D2-40 (podoplanina, linfáticos), CD31 e ERG (endotélio em geral) confirma o revestimento endotelial10.

Detecção de invasão linfovascular: D2-40 versus HE

74 carcinomas iniciais. Dos 4 casos considerados positivos no HE, 2 eram falsos positivos na dupla marcação.

0%5%10%15%20%Invasão linfovascular detectada com D2-4013,5%Invasão linfovascular detectada no HE5,4%

Adaptado de Debald et al., 20106.

D2-40 também marca células mioepiteliais

Proporção de casos com alguma marcação de células mioepiteliais por D2-40.

0%25%50%75%100%Epitélio normal (50 casos)100%Carcinoma lobular in situ (5)100%Carcinoma ductal in situ (35)77%

Adaptado de Rabban e Chen, 20085.

Armadilha do D2-40

Como o D2-40 marca, de forma focal e mais fraca, a camada mioepitelial, um ducto com CDIS pode ser confundido com êmbolo intralinfático. Combinar D2-40 com um marcador mioepitelial nuclear (p63) e com CD31 ou ERG resolve a dúvida: o linfático é D2-40+/CD31+/p63−; o ducto com CDIS tem p63+ na periferia5.

MarcadorLinfáticoVaso sanguíneoCamada mioepitelial
D2-40+ (forte)−± (focal, fraca)5
CD31 / ERG++−
p63−−+

7.6Lesões fusocelulares e metaplásicas

PerguntaPainelInterpretação
Componente fusiforme é epitelial?Citoqueratinas de amplo espectro e de alto peso (CK5/6, 34βE12), p63Positividade, mesmo focal, favorece carcinoma metaplásico10.
Fenótipo basal em carcinoma triplo-negativoCK5/6 (ou CK5), CK14, CK17, EGFRCK5 é o marcador mais sensível; ver capítulo 158.
Diferenciação mioepitelialp63, actina de músculo liso, S-100, CD10Parte dos triplo-negativos tem diferenciação mioepitelial8.

Células tumorais isoladas em linfonodos

A imuno-histoquímica para citoqueratina não é necessária de rotina, mas ajuda a identificar células isoladas em carcinoma lobular e após quimioterapia neoadjuvante9. Ver capítulo 9.

7.7Roteiro do laudo

Dados para laudo anatomopatológico · Imuno-histoquímica diagnóstica

Recomendação geral de boa prática para laudos de imuno-histoquímica diagnóstica.

Marcadores realizados essencialLista dos anticorpos, com o resultado de cada um.
Padrão de marcação essencialNuclear, citoplasmático ou de membrana; contínuo ou descontínuo; difuso ou focal.
Interpretação integrada essencialConclusão diagnóstica que combina morfologia e painel.
Controles recomendadoControle interno avaliável (ductos normais) e externo adequado.
Bloco testado recomendadoIdentificação do bloco, especialmente quando há vários.

Referências

  1. Rakha EA, Gandhi N, Climent F, van Deurzen CH, Haider SA, Dunk L, et al. Encapsulated papillary carcinoma of the breast: an invasive tumor with excellent prognosis. Am J Surg Pathol. 2011;35(8):1093-103. doi:10.1097/PAS.0b013e31821b3f65
  2. Shin SJ, Simpson PT, Da Silva L, Jayanthan J, Reid L, Lakhani SR, et al. Molecular evidence for progression of microglandular adenosis (MGA) to invasive carcinoma. Am J Surg Pathol. 2009;33(4):496-504. doi:10.1097/PAS.0b013e31818af361
  3. Simpson PT, Gale T, Reis-Filho JS, Jones C, Parry S, Sloane JP, et al. Columnar cell lesions of the breast: the missing link in breast cancer progression? A morphological and molecular analysis. Am J Surg Pathol. 2005;29(6):734-46. doi:10.1097/01.pas.0000157295.93914.3b
  4. Dabbs DJ, Schnitt SJ, Geyer FC, Weigelt B, Baehner FL, Decker T, et al. Lobular neoplasia of the breast revisited with emphasis on the role of E-cadherin immunohistochemistry. Am J Surg Pathol. 2013;37(7):e1-11. doi:10.1097/PAS.0b013e3182918a2b
  5. Rabban JT, Chen YY. D2-40 expression by breast myoepithelium: potential pitfalls in distinguishing intralymphatic carcinoma from in situ carcinoma. Hum Pathol. 2008;39(2):175-83. doi:10.1016/j.humpath.2007.06.018
  6. Debald M, Pölcher M, Flucke U, Walgenbach-Brünagel G, Walgenbach KJ, Höller T, et al. Increased detection of lymphatic vessel invasion by D2-40 (podoplanin) in early breast cancer: possible influence on patient selection for accelerated partial breast irradiation. Int J Radiat Oncol Biol Phys. 2010;77(4):1128-33. doi:10.1016/j.ijrobp.2009.06.088
  7. Rosen PP. Tumor emboli in intramammary lymphatics in breast carcinoma: pathologic criteria for diagnosis and clinical significance. Pathol Annu. 1983;18 Pt 2:215-32.
  8. Lerma E, Barnadas A, Prat J. Triple negative breast carcinomas: similarities and differences with basal like carcinomas. Appl Immunohistochem Mol Morphol. 2009;17(6):483-94. doi:10.1097/PAI.0b013e3181a725eb
  9. Cserni G, Brogi E, Cody HS, Deb R, Farshid G, O'Toole S, et al. Reporting of surgically removed lymph nodes for breast tumors: recommendations from the International Collaboration on Cancer Reporting. Arch Pathol Lab Med. 2022;146(11):1308-18. doi:10.5858/arpa.2022-0060-RA
  10. WHO Classification of Tumours Editorial Board. Breast tumours. 6th ed. Lyon (France): International Agency for Research on Cancer; 2025. (WHO classification of tumours series).

Manual de patologia mamária · Dr. Roberto Falzoni · Capítulo 7. Fotomicrografias: acervo do autor.